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04/09/2019 | 13:49 - Brasil / Reportagens Especiais

A história do avião da Varig que caiu na Amazônia por causa de uma vírgula

Folha de São Paulo

A falta de contato das equipes em terra com o avião após o significativo atraso do pouso: caso os pilotos tivessem sido contatados, o erro poderia ter sido detectado a tempo e a tragédia poderia ter sido evitada Representação gráfica do plano de voo computadorizado inadequada, podendo causar confusão em quem o estivesse lendo Falta de planejamento dos pilotos, já que as informações da documentação das rotas poderiam ser comparadas com aquelas constantes no plano de voo.

A história do avião da Varig que caiu na Amazônia por causa de uma virgula

O acidente do voo Varig 254, 30 anos atrás em 3 de setembro de 1989, ficou marcado por um detalhe aterrador: uma de suas causas foi uma vírgula. Ele partiu de São Paulo com destino a Belém (PA), mas não conseguiu chegar ao seu destino. Após horas voando, o avião ficou sem combustível e teve de fazer um pouso forçado à noite no meio da floresta amazônica. Das 54 pessoas a bordo, 12 passageiros morreram em decorrência da queda e 17 ficaram gravemente feridos. Entre os fatores que causaram a queda, o que mais chama a atenção foi o erro de interpretação da rota a ser seguida por causa de uma vírgula.

Na manhã de 3 de setembro de 1989, o Boeing 737-200 de prefixo PP-VMK decola do aeroporto de Guarulhos com destino a Belém. Havia escalas em Uberaba (MG), Uberlândia (MG), Goiânia (GO), Brasília (DF), Imperatriz (MA) e Marabá (PA).
O avião decolou de sua última escala, em Marabá, às 17h35, com destino a Belém. Foi neste último trecho do voo que o acúmulo de problemas viria a resultar na queda do avião.

Início dos planos computadorizados

A Varig havia começado a disponibilizar planos de voo computadorizados meses antes do acidente. Esses planos continham todas as informações para o voo, como frequências de rádio das torres dos aeroportos, de controladores de voo, pontos de referência para a navegação e a rota, que é descrita em graus, como na bússola.

Até aquela época, utilizavam-se apenas três dígitos para inserir a orientação do rumo que a aeronave deveria seguir. Com os novos planos computadorizados, esse campo passou a contar com uma casa decimal, passando a ter quatro dígitos ao todo.
Com isso, houve uma confusão na hora de se programar os instrumentos do avião, que deveriam conter a rota 027,0°, e não 270°. Com isso, em vez de se dirigirem ao norte, em direção a Belém, acabaram indo para o oeste.

Voo demorou mais e gastou combustível.

Esse primeiro erro foi sucedido por uma série de desencontros e falhas nos procedimentos, segundo consta do relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Aeronáutica.

O voo, que deveria durar não mais do que uma hora, acabou voando por mais de três horas, ficando sem combustível e caindo em uma zona de mata ao norte de São José do Xingu (MT).

Dos 54 ocupantes, 12 passageiros morreram e mais 17 pessoas ficaram feridas em estado grave. Piloto e copiloto sobreviveram. A reportagem não conseguiu encontrar o piloto do voo. O copiloto foi encontrado, mas não respondeu aos contatos.

Investigações

Essa percepção enganosa do que estava escrito no plano de voo foi apenas um dos fatores que resultaram na queda do avião da Varig em 1989. Entre os demais pontos, resultantes da investigação do Cenipa, destacam-se:

A falta de contato das equipes em terra com o avião após o significativo atraso do pouso: caso os pilotos tivessem sido contatados, o erro poderia ter sido detectado a tempo e a tragédia poderia ter sido evitada
Representação gráfica do plano de voo computadorizado inadequada, podendo causar confusão em quem o estivesse lendo
Falta de planejamento dos pilotos, já que as informações da documentação das rotas poderiam ser comparadas com aquelas constantes no plano de voo.

Dificuldade de visualizar o solo em busca de pontos de referência e da cidade de Belém, devido à presença de névoa seca na região e ao pôr do sol

Ao final das investigações criminais, os pilotos foram condenados à prisão, mas, como tinham bons antecedentes, a pena foi convertida em multa e punição alternativa


 

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